Borboletas bebem lágrimas de tartarugas

Você
já observou um bando de borboletas voando e pousando em poças de lama,
ou melhor ainda, rodeando a cabeça de répteis como tartarugas e jacarés?
Então você já deve ter se perguntando o que esses insetos querem com a
lama ou com os répteis.
O
entomologista Phil Torres captou uma bela cena na Amazônia peruana:
borboletas coloridas bebendo lágrimas diretamente dos olhos das
tartarugas que tomam sol ao lado do rio Tambopata. O vídeo foi
registrado em março de 2018 e compartilhado no canal de YouTube do
pesquisador, O Diário da Selva.
Ele conta que oito espécies de três famílias diferentes de borboletas, de todas as cores e tamanhos, rodeavam as tartarugas.
Ele
descreveu a cena como a mais “bizarra, estranha, bela, e fascinante” que
ele já viu na vida. Segundo Phil, essa cena é relativamente rara de ser
registrada, porque as tartarugas costumam pular para a água quando
percebem a aproximação de barcos. Mas as borboletas parecem ter
distraído essas tartarugas em questão.
“Eu diria que a chance é de uma em mil de ter a sorte de ver tantas borboletas voando assim”, diz ele.
Phil
explica que as borboletas precisam fazer isso para sobreviver. A
alimentação comum delas, que inclui néctar e seiva de algumas árvores,
não fornece o sódio necessário para elas. O néctar é composto
principalmente de água e açúcar, mas também contém proteínas,
aminoácidos e vitaminas. Outra opção de fonte sódio além da lama e
lágrima de répteis é o coco de animais.
Quem não parece gostar muito dessa relação de comensalismo são as tartarugas que produzem lágrimas. Os indivíduos da espécie Podocnemis unifilis
não conseguem retrair a cabeça para dentro do casco, e precisam
aguentar o bando de borboletas pousando em seus olhos. A única coisa que
elas podem fazer para tomar banho de sol em paz é mexer a cabeça para
os lados e tentar espantá-las com as patas, mas isso não parece surtir
grande efeito.
As
borboletas são insetos bastante insistentes, e não desistem de seu alvo.
“Aposto que se eu ficasse parado por tempo suficiente, elas
definitivamente viriam se alimentar de meu suor e talvez até tentar
chegar perto dos meus olhos”, diz Phil.
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