Para se colocar em perspectiva os absurdos efeitos e a força que ainda hoje a homofobia possui em nossa sociedade, vale lembrar que...

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2017

Fotógrafa que conseguiu entrar em uma clínica de ‘cura’ da homossexualidade reproduz o que viu em ensaio

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Para se colocar em perspectiva os absurdos efeitos e a força que ainda hoje a homofobia possui em nossa sociedade, vale lembrar que até 1973 a homossexualidade era oficialmente considerada uma doença nos EUA – e, no Brasil, até 1990.

Não é por acaso que até hoje por todo mundo clínicas, legais e ilegais, oferecem tratamentos para “curar” orientações sexuais diversas, ainda as tratando como doenças, fomentando a homofobia e os diversos crimes contra a comunidade LGBT por toda parte – as próprias clínicas se valem de métodos brutais e torturantes, pelo mero hábito de se lucrar em cima da ignorância e do medo.

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Foi ouvindo relatos de amigos e amigas que passaram por tais tratamentos em seu país que a fotógrafa equatoriana Paola Paredes decidiu que precisava retratar e denunciar os métodos criminosos dessas ditas “clínicas”. Entrar em uma com uma câmera na mão e registrar de fato as cenas era impossível – Paola conseguiu visitar um desses estabelecimentos, todos ilegais no Equador, fingindo-se interessada no tratamento, com uma câmera escondida. As imagens eram tão brutais, no entanto, que ela decidiu que não deveria expor as pessoas torturadas, e usar a si mesma como atriz para encenar o que viu.

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Além de intensos estudos bíblicos, exercícios forçados, sessões obrigatórias de terapia em verdadeiras torturas psicológicas, aplicação de castigos físicos, surras, tortura direta e até estupros “corretivos” foram documentados em tais clínicas. O ensaio foi chamado de “Até que você se transforme”, e foi, para a fotógrafa, como uma segunda etapa de sua própria “saída do armário”.

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O âmbito fotográfico do projeto está concluído, mas Paola segue entrevistando vítimas, ativistas e pesquisadores a fim de revelar e denunciar tais práticas. Trazer à tona tais histórias é, para ela, não só uma maneira de lutar pelo fechamento desses locais, como para colocar luz sobre a realidade da homofobia e da dor e a vida das pessoas perseguidas hoje.

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Todas as fotos © Paola Paredes


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