Para muitos a água encanada é algo de tão fácil acesso que pode parecer coisa desimportante, mas a verdade é que trata-se de um pri...

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2017

Esse professor é o primeiro amazonense da história a ser indicado ao ‘Prêmio Nobel’ da Educação

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Para muitos a água encanada é algo de tão fácil acesso que pode parecer coisa desimportante, mas a verdade é que trata-se de um privilégio, ao qual boa parte do mundo simplesmente não tem acesso. É por isso que o professor Valter Pereira de Menezes foi indicado ao prêmio Global Teacher Prize, espécie de ‘Prêmio Nobel’ da educação: com uma ideia simples, engenhosa e de fácil realização, Valter juntou seus alunos para resolver o problema de saneamento na sua comunidade.

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O projeto se chama “Água limpa para os curumins do Tracajá” e está entre os 50 selecionados para a final do prêmio. Tudo começou, no entanto, como começam as melhores ideias: com uma pergunta. Em 2014, durante a semana do meio ambiente na escola municipal Luiz Gonzaga, onde Valter leciona, e um dos alunos questionou o professor sobre o fato dos casos de diarreia na região aumentarem durante as cheias dos rios.

Valter e sua turma de alunos
Valter e sua turma de alunos

Valter respondeu que isso se dava pela ausência de esgoto, e pelo fato da água que abastecia a região vir de um poço artesanal não encanado – com isso, durante a subida dos rios, os dejetos humanos iam parar nos lençóis freáticos, contaminando a água do poço. Foi quando uma lâmpada se acendeu em sua cabeça.

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Primeiro, Valter entrou em contato duas ONGs, Asas de Socorro e Tearfund, para realizarem a instalação de 180 filtros bioativos de areia nas casas ribeirinhas que não possuíam encanamento. 20 fossas foram instaladas então na comunidade de Santo Antônio do Tracajá.

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Outra questão, no entanto, permanecia em aberto: o que fariam quando as fossas estivessem cheias? Foi aí que seu projeto de fato nasceu e passou a funcionar, e com uma solução simples e brilhante: Valter e seus alunos plantaram bananeiras junto às fossas, transformando as plantas – que passaram a se alimentar da água das fossas – em catalisadores ambientais.

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Junto das bananeiras, as fossas instaladas foram revestidas para isolar os detritos humanos do lençol freático e filtrar a água através das plantas. O processo em nada prejudica as bananas por vir: quando a água sugada pela bananeira enfim chega ao fruto, ela já está totalmente filtrada.

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O projeto de Valter já venceu outro importante prêmio de educação, o Educador Nota 10, da Fundação Victor Civita, aqui no Brasil. A alegria de Valter por ser o primeiro amazonenses indicado ao ‘Nobel’ de educação só se abala por ele não ter recebido qualquer apoio na divulgação do prêmio por parte do governo amazonense até aqui. Mas ele sabe da importância de mostrar que a educação na zona rural também pode ser de qualidade – e que um trabalho como o seu supera qualquer incompetência governamental.

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O resultado será divulgado em 19 de março, e o vencedor levará 1 milhão de dólares e a certeza de ter realizado “uma contribuição extraordinária para a profissão assim como de ter iluminado a importância do papel do professor na sociedade”. Isso, seja qual for o resultado, Valter pode ter certeza que já realizou.

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© fotos: divulgação/Facebook


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